domingo, 17 de março de 2013

Mineiros da Panasqueira em luta

Minas da Panasqueira. Foto : URBI ET ORBI

Mineiros em luta.

Mais de 170 mineiros das Minas da Panasqueira estiveram reunidos para decidir que vão efectuar dois dias de greve, a 2 e 3 de Abril próximo, decisão tomada por unanimidade, num plenário convocado pelo Sindicato Mineiro.
Os trabalhadores mostram assim que estão dispostos a endurecer a luta iniciada com a greve nos dias 6 e 7 de Março transacto, reinvindicando aumentos salariais superiores aos propostos pela empresa.
Os trabalhadores, através do seu sindicato, afirmam que são os mais mal pagos do sector (à volta de 800 euros), reivindicam 55 euros de aumento salarial, um acréscimo de três euros por dia ao subsídio de alimentação e a passagem de trabalhadores com contrato a prazo a efectivos, bem como contra o aumento salarial real proposto por parte da empresa, que é de 2,5%.
Os trabalhadores também exigem no seu caderno reivindicativo “melhoria acentuada” das condições de vida e de trabalho, sobretudo no que respeita a segurança.
A capacidade de luta destes trabalhadores é sinónimo de combate tenaz, duro, sinal de que os mineiros das minas da Panasqueira não vacilam e não desistem dos seus anseios. Essa coerência, essa determinação na luta, está inscrita nas suas reivindicações e é sinónimo, também, do seu trabalho diário árduo e duro.
Esta luta tem de ser inserida no combate, onde também não podem subsistir vacilações, pelo derrube deste governo de traição nacional e a imposição, em seu lugar, de um governo que defenda a independência nacional, o trabalho contra o capital, um governo democrático patriótico.

Notícia do luta Popular online

quarta-feira, 6 de março de 2013

A situação actual e as nossas tarefas


Se as grandes manifestações de 2 de Março passado demonstraram cabalmente que existem na sociedade forças mais do que suficientes para derrubar o governo de traição nacional PSD/CDS, nelas ficaram patentes também as insuficiências políticas, organizativas, programáticas e ideológicas que é preciso superar para impor aquele objectivo e construir uma alternativa a um tal governo.
Impõe-se a existência de uma firme direcção operária, de um reforço da organização dos trabalhadores, de objectivos claros e de um programa que permita ultrapassar a crise e que congregue, em torno de um governo democrático patriótico, todas as forças susceptíveis de ser unidas numa batalha que é muito dura e que será certamente prolongada.
Esta situação exige dos comunistas o cumprimento de tarefas de grande envergadura. O PCTP/MRPP tem uma táctica correcta e clara para o presente momento político. É preciso promover uma ampla divulgação e debate dessa táctica entre os operários e demais trabalhadores. Se as nossas forças são limitadas em número, essa divulgação e debate permitirão multiplicar tais forças e criar um poderoso movimento de opinião e de acção, sem o qual nenhuma luta revolucionária pode desenvolver-se e atingir os seus objectivos.
Em pequenos grupos ou em amplas reuniões nas fábricas e locais de trabalho, em associações e colectividades, em toda a parte é necessário promover o debate de ideias e perspectivas de solução para a actual crise. Existe hoje uma avidez pela discussão política entre as massas trabalhadoras, os jovens, os reformados e a intelectualidade progressista. Os comunistas têm de estar neste movimento e influenciá-lo com as suas posições e propostas.
Ninguém deve ser excluído do debate de ideias. Todos os partidos, organizações e pessoas que se opõem à tróica e ao governo PSD/CDS devem ser envolvidos nesse debate. É preciso opormo-nos frontalmente e levar de vencida quaisquer tentativas de marginalizar o PCTP/MRPP em realizações e iniciativas de massas. Todas as ideias devem poder ser debatidas. As ideias correctas farão inevitavelmente o seu caminho.
O derrube do governo Coelho/Portas está hoje claramente na ordem do dia. Mas é preciso combater firmemente quaisquer ilusões de que o governo se demitirá ou será demitido pelo presidente da República, bastando para tal manifestar descontentamento nas ruas. O governo actual é um instrumento directo de potências e interesses imperialistas e tem uma máquina de propaganda e de repressão que exige, da parte dos operários e das massas trabalhadoras, uma férrea organização de combate para a derrubar e vencer.
Por importante que esta seja, o que verdadeiramente aterroriza as classes dominantes não é a revolta das chamadas classes médias, mas é sim a força e a determinação dos operários e trabalhadores que, nas fábricas e empresas, deram já provas de que, se dotados de uma direcção firme e clarividente, derrubarão todos os obstáculos e inimigos. O movimento grevista e sobretudo a greve geral nacional que paralise o país pelo tempo que for necessário, é o principal meio para romper a resistência do inimigo e mobilizar as forças necessárias para construir uma alternativa.

Uma nova greve geral, talvez com uma duração superior às anteriores e apontando claramente o objectivo do derrube do governo, deve ser urgentemente convocada pelas organizações de trabalhadores. A ocupação permanente e massiva dos locais de trabalho, a imposição da vontade da maioria contra quaisquer tentativas de furar a greve, a resistência firme a quaisquer intentos repressivos das forças policiais e o debate e aprovação de moções e propostas pelos trabalhadores em luta, são os meios indispensáveis para garantir o êxito da greve geral e dos seus objectivos.
Também o próximo 1º de Maio deve ser transformado numa memorável jornada de luta e de unidade pelos objectivos revolucionários dos operários e trabalhadores. Todas as organizações sindicais, comissões e órgãos da vontade dos trabalhadores devem ser associadas a uma mesma convocatória e organização desta jornada. A aliança das classes trabalhadoras contra o capital e a luta popular contra o imperialismo e todos os seus lacaios terão de ter neste 1º de Maio, em ampla unidade, uma poderosa alavanca para as transformações democráticas e revolucionárias que a situação actual reclama.
São grandes e exigentes as tarefas que o PCTP/MRPP é chamado a cumprir no presente. Entre essas tarefas está a preparação das próximas eleições autárquicas do Outono de 2013, nas quais o Partido irá participar e que deverão constituir um meio de reforço político e organizativo das nossas fileiras, bem como uma frente de inquestionável importância na luta dos trabalhadores e do povo contra o poder que os explora e oprime e por objectivos de progresso e bem-estar.
Esta e as demais tarefas do Partido devem reforçar-se mutuamente. Em todas elas existe o mesmo fio condutor. A mobilização de massas que se impõe para o cumprimento de umas é aquela que permite garantir o êxito das demais. Arregacemos as mangas. A luta e as massas são o nosso ambiente. Saibamos ser dignos das nossas tradições e das nossas responsabilidades.

 Editorial do Luta Popular